quarta-feira, 9 de maio de 2018

Remada até o Navio Oceanográfico Almirante Álvaro Alberto

Não deixe o barco afundar...
Tape os buracos desse coração.
Jacqueline Campos Rojas

(Foto: Leo Esch)

Já fazia algum tempo que remar até o famoso Navio Oceanográfico Almirante Álvaro Alberto estava nos meus planos. Dessa vez eu já estava no final das férias e queria aproveitar para buscar um caiaque lá em Pelotas. Mas só buscar o caiaque seria algo um tanto quanto chato, sem graça, teria que rolar uma remadinha... Junto com isso, verifiquei a previsão de uma boa janela de tempo, sem muito vento, e lancei no grupo de Whatsapp do ESK o convite para uma remada até o navio. Logo o Ramon e a Letícia toparam a ideia. Depois nosso amigo Pedrão. Finalmente, depois de alguns dias, o alemão Leonardo Esch resolveu se juntar a essa turma. A turma se organizou, mesmo sem muito planejamento, mas com bastante confiança no grupo... Mas que navio é esse (trecho copiado do site popa.com.br)?
"O Navio Oceanográfico "Almirante Álvaro Alberto" - H 43, foi o primeiro navio da Marinha Brasileira a ter essa denominação. Antes de ser adquirido, em fevereiro de 1987, por US$ 3 milhões, chamava-se Grant Mariner, e inicialmente Polar 901. Foi construido por um estaleiro de Port Arthur, Texas, como rebocador de apoio a plataformas marítimas. Foi incorporado a Marinha do Brasil em 6 de junho de 1988 após ter sido adequado pelo Arsenal da Marinha do Rio de Janeiro. Media 66,15 m de comprimento, 13,42 m de boca e 4,74 m de calado. Deslocava 363 ton e era impulsionado por dois motores de 12 cilindros, acoplados a um eixo único, totalizando 4800 Bhp. Tinha a velocidade máxima de 14 kts e abrigava até 57 tripulantes. Soçobrou no dia 16 de dezembro de 1992, as 15:30 hs, devido a um incêndio que se iniciou na praça de máquinas, a 25 MN do farol de Itapuã, quando retornava, após uma operação de levantamentos marítimos entre as costas de São Paulo e Rio Grande do Sul.
Conforme o item 66 da Relação de Bóias do Rio Guaíba e da Lagoa dos Patos, as coordenadas da bóia de sinalização do naufrágio do "Álvaro Alberto" são: S30°47,25' W51°10,38'. Conforme uma lista de waypoints do Clube Náutico Tapense, as coordenadas do navio afundado Álvaro Alberto são: S30°47,400' W51°10,613'. Um fato sobre este navio me vem à memória: ele naufragou bem na rota comercial e foi rebocado, arrastado pelo fundo, para a atual posição alguns meses depois, para melhorar a segurança do tráfego na região. Por isto as 2 posições.
"Se quizerem saber a história do incêndio, sei alguma coisa: O fogo iniciou na casa das máquinas antes da meia noite em 16 de dezembro de 1992. O sistema de hidrantes funciona com o motor do navio, que estava inutilizado pelo fogo. A bomba reserva fora da casa de máquinas não funcionou. Solicitaram ao Corpo de Bombeiros de Porto Alegre, espuma para ser utilizado na casa de máquias as 10h00. Foi enviado o material por helicóptero. O navio cargueiro Rio Brando estava o segurando com cabos, pois já estava adernado e o barco Guarita forneceu respiradores. O sistema de engate das mangueiras num era Hudson e no outro Storz, qual seja, não casavam. Conta o oficial do Corpo de Bombeiros que atendeu, que ele entrava na fumaça com um respirador. Começava a combater o fogo, logo em seguida tinha de parar e subir com o marinheiro que auxiliava (sem respirador) pois ele desmaiava. Esta embarcação possuia um CPD que fazia um mapeamento de toda a costa brasileira, sendo tudo perdido." João Daniel

O navio soçobrado está na carta da Marinha e hoje tem um farolete em cima,lampejo de cor branca, de bom alcance e muito bem sinalizado Ele está com boa parte à flor d'água. Não tem problema algum em identificá-lo, está entre o Rio Negro e o pontal de Santo Antônio. (Márcio Lima)
Em uma reportagem do Globo Reporter, o seguinte trecho é apresentado:
No amanhecer, o canto das aves anuncia o despertar de um novo dia na Lagoa dos Patos. As águas amanheceram calmas e os pássaros ainda não viram o azul do céu. É um dia perfeito para velejar. O vento hoje nos empurra para um mistério. 
Uma das embarcações mais modernas da Marinha brasileira – um navio de pesquisa, bem equipado – saiu de Porto Alegre e atravessava a Lagoa dos Patos rumo ao mar. Foi a última viagem do Álvaro Alberto, um navio oceanográfico que pegou fogo e hoje é um ferro-velho encalhado bem no meio da lagoa. 
Vinte horas de incêndio consumiram todos os equipamentos. Ninguém saiu ferido. Da embarcação, quase nada restou. Além do convés, só se vê um par de torres nas águas turvas da lagoa. Léo Licks, fundador da ONG Aguapé, foi um dos primeiros a chegar ao navio, oito anos atrás: “O navio ainda tinha um cheiro muito forte. As coisas estavam muito destruídas”. 
A Marinha diz que o incêndio teria começado na praça de máquinas e que o fogo não pôde ser controlado. O navio que virou sucata parece estar em mar aberto. A lagoa tem 280 km de comprimento e 60 km de largura. É sete vezes maior do que a cidade de São Paulo. 
Formada pelas águas do Guaíba, a Lagoa dos Patos já foi mar de verdade, há 11 mil anos: “Por vezes, o mar invadiu uma área bastante grande para dentro do continente. Onde a gente está, em outro período geológico, já foi fundo de mar. Estaríamos nesse momento com seis, sete metros de água acima de nós”, explica o geógrafo Miguel Sanchis. 
Numa vila de pescadores, seu Amador nasceu e se criou. Hoje, ele vê o passado em ruínas: “Tinha umas 60 casas, no mínimo”. A Igreja de São Pedro é a única construção que permanece intocada. Toda a área pertence hoje ao Parque Estadual de Itapoã, que se estende do Guaíba e às praias da lagoa. Duzentos moradores foram obrigados a sair. O parque conserva o pouco que resta da mata nativa do estado. 
“A gente sempre acredita que as pessoas vão ser dar conta de que a natureza é a base da vida, que não existe vida se nós não conseguirmos manter alguns locais pelo menos”, diz a diretora do Parque Jane Vasconcelos. Praias, florestas e dunas só vão ser abertas para visitação, educação ambiental e pesquisa. É uma forma de garantir hoje as cores do espetáculo no amanhã.




Pelo que sabemos, os únicos remadores a chegar lá foram:

- Alvares Silveira da Silva e Jair Romagnoli em 2014



Rolo Berger, Micael Dias e Cigano em 2015.




- Letícia Jost (primeira remadora a chegar no navio), Ramon Ladvig, Leonardo Esch, Pedro Auso e Pablo Grigoletti em 2018.

(Foto: Leo Esch)

Saindo de Pelotas, cheguei em Tapes sábado (28/04/2018) à noite e fui logo ao camping Recanto da Lagoa. Junto comigo também chegaram o Pedrão e logo os amigos Biguás Ramon e Letícia, de Barra do Ribeiro... Pernoitamos por lá e na manhã seguinte o Leo Esch chegou direto pra remada, pelas 8:30.

O dia iniciou tranquilo, sem nada de vento. A lagoa calma nos convidava a remar. Estávamos todos empolgados para botar logo os barcos na água...






Atravessamos o saco de Tapes e fomos em direção ao menor (e mais baixo) trecho de areia que separa o saco de Tapes do restante da Lagoa dos Patos. Carregamos os caiaques pela areia, uma faixa de aproximadamente 250 metros. Com os barcos carregados não foi tão fácil assim, mas com a Letícia coordenando a gurizada toda, fizemos o serviço direitinho...

(Foto: Leo Esch)

(Foto: Leo Esch)

(Foto: Leo Esch)

(Foto: Letícia Jost)

Depois de um rápido descanso, novamente botamos os remos (e os barcos) na água e fomos na direção sudeste, entrando na Lagoa, com expectativa de em algum momento começar a ver algum sinal do navio. Depois de algumas especulações, não demorou muito e começamos a ver um pontinho preto que não se movia... Ele foi crescendo, crescendo... Até nos depararmos com o tão falado navio, uma lenda da Lagoa dos Patos. Chegando lá foi só curtição...

(Foto: Leo Esch)

(Foto: Leo Esch)

(Foto: Leo Esch)

(Foto: Letícia Jost)

(Foto: Letícia Jost)

Águas verdes na lagoa...

Nossa capitã... (Foto: Ramon)

(Foto: Letícia Jost)

(Foto: Ramon)

(Foto: Letícia Jost)

















(Vídeo: Ramon)


Tivemos muita sorte, a lagoa estava bem baixa e conseguimos explorar bastante o navio. Por incrível que possa parecer, a água estava verdinha... Tiramos muitas fotos e fizemos um lanche dentro da sala de comando. Ficamos com bastante vontade de acampar por lá, mas como precisavamos de uma boa previsão para fazer essa remada de volta, acabamos tendo que arrumar as coisas e voltar logo para a terra... Deixando esse acampamento pra uma próxima vez. Melhor não arriscar né!

Terminamos o dia montando acampamento no pontal Santo Antônio. Foram aproximadamente 36 km no dia...





(Foto: Letícia Jost ou Ramon)

(Foto: Letícia Jost ou Ramon)

(Foto: Letícia Jost ou Ramon)

Na madrugada teve pouca chuva, mas muitos raios e trovões. O dia iniciou com um pouco de vento, mas não era nada que fosse atrapalhar nossa jornada até a costa Tapense. Fizemos o contorno do pontal e fomos em direção ao camping...



Fim da jornada, foram quase 60 km no total... No camping, fizemos uma sessão de fotos dos M&Gs.



Para finalizar, um cafézinho com pastel na Lancheria Casa Rural, com os amigos Biguás... O Léo e o Pedrão tocaram direto, cada um para sua casa...