18/04/2020

Remada Águas de MARço - de Retiro dos Padres até Zimbros e dayoff 6

12/MAR/2020 - Quinta - de Retiro dos Padres até Zimbros

Novamente o tempo e o mar não estavam muito convidativos, ficamos pensando no que fazer... Tomamos um café da manhã no camping e decidimos ir até Zimbros, encontrar o Sander, que havia comprado uma fita isoltante líquida para que pudessemos dar uma melhorada nas saias. Na saída, quase que no último segundo, vimos a Teresita. Na verdade ela nos viu e veio conversar, nos disse para passarmos na Guarda, visitarmos ela e o André Issi.




O GPS não estava ligado no início da remada, mas logo depois de passar o primeiro pontal o alemão ligou. O vento estava bem forte e nós entrávamos num novo dilema: "fazer a volta pela Ilha do Macuco, pegando mais vento" ou "uma portagem por terra, na faixa mais estreita possível da Praia do Mariscal"? Pelo Macuco, seriam 10 km a mais... Fomos por terra... 

Depois do pontal até a praia, conseguimos pegar várias ondas, dar altas surfadinhas, tava bem divertido...

Chegando na Praia do Mariscal, encontramos o Colo Weir, dos caiaques Weir. O Leonardo já conhecia ele de outros tempos e ficamos conversando por um bom tempo. Depois de papo pra cá, papo pra lá, de falarmos um pouco da Travessia Rosário Rio, fomos para o sacrifício... Carregar os caiaques cheios até o outro lado.



Para início de conversa pegamos uma rua que não era a menor, depois ao chegar quase no final dela, vimos que não tinha acesso a praia e teríamos que carregar mais uns 300 metros para conseguirmos chegar na água. Mas no final dessa rua tinha uma casinha, que se a gente atravessasse o pátio, chegavamos na água, e não andavamos nem 20 metros.

Então o alemão foi até a esquina ver o caminho mais longo, enquanto isso, tinha uma senhora entrando nessa casinha... Não deu outra, contei nossa história e perguntei se ela não deixava a gente passar por alí. Ela deixou e lá fomos nós...

Nesse terreno encontramos uma das figuras mais icônicas da remada, o Eric, um americano que falava espanhol, cheio de histórias pelo mundo, que atualmente morava por aquelas bandas, e fabricava pulseiras de couro... nos de presente, uma para cada um.



Em Zimbros, calmaria total, a praia estava bem protegida do vento. Fomos até onde o Sander estava, bem no canto da praia.







Ele e a família nos receberam e depois nos ofereceram um café da tarde. Ainda no final da noite fizemos um ótimo churrasco. Resolvemos ficar na pousada, com eles (Sander, Rose e Ariel), pois além da ótima companhia, a pousada tinha boa estrutura. O camping ali da volta estava bem abandonado.









Foi um dia curto em termos de remada, mas bem divertido, pois encontramos várias pessoas pelo caminho.

13/MAR/2020 - Sexta - DAYOFF 6

Olhando assim, mais um dia perfeito para remar..



Mas ficamos parados, fazendo conserto nas saias e nos divertindo na calmaria de Zimbros. Na verdade, no dia anterior já havíamos combinado com o dono da pousada que ficaríamos até sábado pela manhã.



 

Será que ficaram boas as saias? Os testes seriam feitos nos próximos dias... Ainda deu tempo de brincar no caiaque do Sander.




No final da noite o Leonardo fez um camarão ao alho e óleo, louco de especial... 

Remada Águas de MARço - de Barra Velha até Laranjeiras e Laranjeiras até Retiro dos Padres


10/MAR/2020 - Terça - de Barra Velha até Laranjeiras


Se bem me lembro, acordamos cedo, fomos na padoca e logo caímos na água. Aproamos para a Ilha Feia, que ficava a 6 km de onde estávamos. Passamos ela, costeando para ver um pouco da fauna e flora, e tocamos mais uns 5 km até Ponta da Vigia. Neste trecho passamos pelos municípios de Piçarras e Penha.


De lá passamos por Navegantes, atravessamos a boca do Rio Itajaí e paramos na Praia de Cabeçudas, onde fizemos um bom lanche. Na chegada tomei outra onda na cabeça, terceira da remada....




Hora de seguir viagem, o vento já tinha ficado mais forte e já conseguíamos ver os altos prédios de Balneário Camboriú. Passamos ao longe, mais ou menos uns 3 km de distância da praia. Fizemos uma breve parada em Laranjeiras, para tirar água dos caiaques. As saias estavam deixando muita água entrar... Muita água... Seguimos mais um pouco e paramos na próxima praia, que era a Praia de Taquaras. Decidimos ficar por lá.





Esperamos a turma ir embora, a noite chegar, e montamos as barracas ali mesmo, num cantinho da praia. Foram 45 km remados no dia. Fizemos uma boa janta e dormimos por lá mesmo, ao som do mar.






11/MAR/2020 - Quarta - de Laranjeiras até o Retiro dos Padres

Acordamos cedo também, pois tinhamos que desmontar as barracas antes das pessoas começarem a chegar na praia. Fizemos isso, tomamos café e logo pra água. Coisa boa acampar bem na beira, fica tudo mais fácil. De lá seguimos em direção a Porto Belo, o mar estava muito calmo... Até pensamos na ideia de chegar em Zimbros, para encontrar o Sander, que estava lá.


Logo de início avistamos dois grandes prédios brancos, e aproamos entre eles...  Com o passar do tempo, os prédios viraram dois gigantescos navios de cruzeiro. Passamos ao lado de um deles e paramos em Porto Belo, na frente da ilha, ṕara descansar um pouco.




Aproveitamos que estávamos no centrinho e fizemos um bom lanche e cerveja.




Ao sair de lá, já pelas 14h, o vento tinha aumentado muito. Mas tínhamos que remar mais um pouco, para achar o próximo camping, pois pelas condições, não teríamos mais como chegar em Zimbros.

Pelo que havíamos pesquisado, tinha um camping em Bombinhas. Fomos até a Praia do Ribeiro e vimos que o camping era logo ao lado, um pouco ao norte de onde paramos. Fomos até o Camping Brilho Do Sol. Para nosso azar, só estavam aceitando motorhomes, que não era o nosso caso.

Ficamos pesquisando o que fazer, pois já estava findando a tarde e o vento estava bem forte. Olhando no celular, o próximo ponto era o Retiro dos Padres, que ficava uns 4,5 km mais para frente. Como não tínhamos outra opção, lá fomos nós.

Logo depois da enseada de Bombinhas, entre a Ponta da Garoupa e a praia do Retiro dos Padres, pegamos o maior mar dessa remada. Era uma verdadeira máquina de lavar no modo turbo, como diz o alemão. Depois de passarmos por lá, com toda a atenção que era necessária, e chegarmos com segurança no Retiro dos Padres, ficamos comentando que naquele lugar/momento o resgate era quase impossível.

Chegando no Retiro, foi só alegria. Logo que chegamos, para comemorar, fui pegar um café com leite, para brindar. Comemoramos a chegada com o café, depois jantamos num restaurante por alí.








Fomos muito bem recebidos no camping, até com minipizzas ou esfirras, oferecidas pelos nossos vizinhos de acampamento. É daqueles campings onde a turma fica super estruturada...


Além disso, eles nos cederam um box que estava desocupado, mas com toda a estrutura de lona montada. Foi uma noite tranquila, depois de um dia agitado. Remamos uns 35km no dia.




03/04/2020

Remada Águas de MARço - da Ilha dos Remédios até Barra Velha e dayoff 5

08/MAR/2020 - Domingo - da Ilha dos Remédios até Barra Velha

Saímos com bastante calma da Ilha dos Remédios, rumo a casa do Jayndré, em Barra Velha. Acho que colocamos os caiaques na água já eram 10h. Estávamos remando há uma boa distância das ondas, onde estava tranquilo até. Com o passar do dia, o vento começou a ficar mais forte, sorte nossa que era nordeste, mas realmente, bagunçou um pouco o mar.

Perto das pedras de Barra Velha (um lajeado de pedras no meio do mar), o Leonardo, que estava um pouco na minha frente, aproou para as pedras, que ficavam mais para leste, pra dentro do mar. Eu imaginei assim: lá vai o alemão dar uma curtida, ver o lajeado de perto, pois ele sempre que pode gosta de ver os detalhes dos lugares que passamos. Como eu estava "um pouco atrasado", decidi seguir reto, para alcançá-lo mais na frente, já que eu faria um trajeto mais curto, e ele um zigue-zague, indo mais mar à dentro e depois voltando.

Assim, fixei meu olhar no final desse trecho de pedras, que deveria ter uns 400 metros de extensão, para ver quando ele apareceria de volta. Mas não apareceu, não apareceu, e eu ia indo para frente... 

Até que depois de um tempo remando e esperando ele aparecer, resolvi voltar, pois sabia que ele não estava bem do estômago, e poderia ter acontecido algo, pois ele havia desaparecido naquelas pedras. Voltei até as pedras, pegando o nordestão de frente. Rodeei elas e nada do alemão. Mas o que teria acontecido? Cadê esse alemão?


Sem ter ideia do que aconteceu e bastante preocupado, resolvi remar até o ponto combinado, onde pudesse aportar e pegar o telefone celular. Pensei na opção de parar na praia mesmo, mas o swell ainda estava alto e decidi remar até a Ilha do Grant. Remei o mais forte que pude até lá. 

A ilha estava cheia de turistas, curtindo a tarde de sol. Cheguei e logo peguei o celular, onde vi a mensagem da Tiane, dizendo que o Leonardo tinha feito uma parada pois não havia se sentido bem. Fiquei lá na ilha, tentando ver algum caiaque no meio daquele marzão mexido. Depois de algum tempo, avistei ele, e tentei fazer sinal com o remo... Nem sei se ele viu, mas acabou vindo para a ilha. Ufa, tudo bem...





Ele chegou e conversamos para entender o que aconteceu. Resumindo, eu fiquei com o olhar fixo no final das pedras, perdendo a atenção para os outros pontos. Ele nem ultrapassou elas, apenas parou perto para tirar água do caiaque. Por isso eu não vi ele no outro lado. De lá onde parou, ele não me viu mais e decidiu ir pra terra pois também não estava legal, para comprar uma coca-cola. De lá ficou me procurando, e com a ajuda de um pescador, me viu perto das pedras, no momento que eu fui procurar ele. Logo que me viu, ele entrou no mar e eu voltei a ir para o sul. Ele não me encontrou mais, então decidiu ir pra sul também. Nos encontramos na Ilha do Grant.

Depois de lá, tiramos algumas fotos e fizemos o último km até a casa do Jyandré. Ao sair nas ondas, meu caiaque imbicou na areia e fiz uma pirueta legal, tomando mais um caldo. Sorte que consegui rolar. Chegamos no nosso destino, exatamente na bandeirinha de local perigoso.





Agora era aproveitar a estrutura que o Jyandré nos ofereceu :) Valeu!!!

Relato do Leonardo: O dia de hoje era para ser uma remadinha básica bem tranquila... Acordei de madrugada com uma indisposição estomacal - ou algo parecido. Deve ter sido da água ou de alguma comida. O café da manhã foram duas maçãs, estava sem apetite. Como a remadinha seria relativamente curta, saímos sem pressa por volta das dez horas, com previsão de chegada por volta das 14 h. Logo no começo da remada a indisposição foi aumentando e ainda defronte a Barra do Sul vomitei pela primeira vez. Ao longo do dia foram mais duas ou três vezes, até perdi a conta. A remada foi bastante penosa, parecia que faltavam forças. Parar não era uma opção, pois além de não haver muitas opções, o swell estava bem maior do que o previsto e algumas praias não eram nem um pouco convidativas. Além disso, o vento nordestão chegou para ficar e bagunçar o coreto... Acabei fazendo uma parada que não estava prevista em Barra Velha (para tomar uma Coca Cola - o veneninho acalmou o estômago) e um pouco adiante paramos na bela Ilha do Grant (na carta náutica, Ilha de Canas). Dobrando a curva de um costão, logo chegamos à Praia do Cerro em Itajuba.

No total, foram 34km da Ilha dos Remédios, passando a Ilha do Grant (onde não conseguimos conhecer o seu Joel, caseiro da ilha), parando na Praia do Cerro. Para mim, mais de 5 horas sem sair do caiaque.




Depois de identificarmos e chegarmos na casa, lavamos os caiaques, os equipos, fomos tomar um café na padaria e terminamos o dia sendo presenteados com essa vista do mar e da lua...




Pensando um pouco sobre o dia, na hora do desencontro fiquei preocupado, imagino que o Leonardo também. Depois analisando, foi interessante ver que no mar, poucos minutos já fazem uma pessoa não conseguir ver a outra (eu não conseguia ver ele, ele também não me viu...), ainda mais com o mar mais agitado. Foi um bom aprendizado para mim, parei de fixar o olhar onde eu achava que o outro caiaque iria aparecer, e comecei a sempre fazer um olhar mais 360º.

09/MAR/2020 - Segunda - Dayoff 5

Acordarmos cedo, acho que a ideia era remar. Fomos na padoca tomar um café da manhã. Depois do café, por algum motivo, nossas conversas enveredaram para o dilema entre "Tempo para conhecer os lugares e Tempo para remar". Resolvemos ficar mais um dia em Barra Velha. Nem lembro direito se tinha muito vento, ou o swell estava algo, ou se só decidimos ficar. Ficamos...



Lembro do Leonardo lembrar que as melhores histórias, as mais marcantes, são feitas em terra, nelas aparecem as pessoas e lugares que conhecemos... Foi disso que falamos...