145km remados, de Ipanema até ArambaréPrimeiro dia
Primeiro dia saindo de Ipanema, Porto Alegre, antes das 8 da manhã. Guaíba calmo. Remei até a Ponta Grossa e então atravessei o Guaíba para a Ponta da Ceroula. Lá parei para comer algo e tomar um bom banho. Avistei a Ponta do Salgado, e seriam mais 10km. Lá fui eu. Cheguei no Salgado e mais um bom banho nas águas limpas do Guaíba. Lá o Guaíba já é mais aberto e o vento iniciava a aparecer. Alinhei o rumo para a Ponta Escura e lá fui eu. Na metade do trajeto, finalmente algumas pequenas ondas limparam a poeira do deck. Chegando na Ponta Escura, mais um banho para descansar. Muitos Lambaris em todas as paradas que fiz. Segui, contornando a Ponta Escura, já avistando a Lagoa dos Patos. Os dois acampamentos existentes estavam ocupados. Passei entre as ilhotas da Ponta Escura, lugar bem legal de acampar. Tinha um veleiro atracado por lá. Ainda tinha sol e resolvi seguir. O vento já estava mais forte. Apesar do vento, um banco de areia ia me protegendo das ondas até chegar no Morro da Formiga. Passei a praia da Sepultura e resolvi seguir, aproveitar que depois da curva o vento Leste iria me ajudar. Fiz a curva no morro e passei longe das praias do Canto e Pimenta, com o vento empopado me ajudando. Parei numa prainha um pouco depois dessas praias, bem isolada e discreta. Acampamento perto da água. Muitas mutucas. Fiz janta, estava uma merda, faltou sal. O final da tarde estava fantástico. Parar lá foi ótimo, protegido do vento. Mas fiquei com vontade de um dia parar nas ilhotas da Ponta Escura. Do meu acampamento avistava o Morro da Formiga, Ilha do Barba Negra, Ilha do Viado e as falésias. Acredito que foram uns 45km remados neste dia.
Saída de Ipanema

Final do primeiro dia
Acamps do primeiro dia
Final do primeiro dia
Segundo dia
Acordei tranquilo, mas já com dores no corpo, do primeiro dia de remada. Tomei um café, arrumei as coisas e saí para remar. Águas calmas. Estava com bastante dor no corpo. Noto nitidamente isso quando a quase todo momento eu paro para arrumar algo no caiaque: seja tomar uma água, arrumar algo no deck, pegar algo para comer... Tudo é motivo para parar de remar. Também estava muito quente e não tinha vento. As falésias são bonitas, subi na maior que avistei, perto da Bolanta da Panelinha, para tentar sinal de celular. Deu certo. Fiz contato. Segui remando costeiro, visto que é um retão sem fim... Muitos bancos de areia que tive que sair do caiaque para passar. Estava literalmente arrastando a bunda na areia. Depois de bastante tempo sem uma sombra, eis que aparece uma única árvore na beira: me deitei lá e descansei um pouco. Neste dia tive que tomar um relaxante muscular. Parece que funcionou, depois tudo começou a melhorar. Segui remando, parei um pouco no Zé da Praia, mas depois segui remando. Segui mais um pouco mas o vento de Sudeste me atrapalhava na evolução. Notei que não iria render. Voltei acho que 1 ou 2 km para acampar no Zé da praia. Lá tinha sinal de celular e liguei pro amigo Kanga que foi lá levar umas garrafas de água e um bom chimarrão. Depois do mate ele se foi e eu fiquei por lá curtindo. É um local até que bastante movimentado, mas no acampamento mesmo eu estava só. Jantei e fui dormir. Lá pelas 23:30 chega uma galera de moto, gurizada, ligaram uma bateria de moto nas luzes do acampamento e iniciam um churrasco, com direito a narguilé e bebedeira. Depois chegou mais gente ainda. Era uma festa, em plena quarta feira. Fui conseguir dormir lá pelas 3 da manhã, quando alguns foram embora. Teve um ou dois que dormiram por lá: um acampado e outro no quarto que tinha lá. Acho que não descansei bem. O dia não rendeu, devido a inúmeras paradas por causa dos desconfortos do corpo. Acho que foram uns 35km. O dia deveria ter rendido mais, pelas condições tranquilas da lagoa. Eu deveria ter parado mais perto de Arambaré. Pedro, que estava me passando as previsões do tempo, tinha me informado que na quinta-feira, depois do meio dia, os ventos iriam se intensificar. Então era melhor já ter cruzado o pontal de Tapes. Fiquei longe do pontal, uns 20km até iniciar a travessia para a Ponta Dona Helena.

Zé da praia - segundo dia
Zé da praia - segundo dia
Zé da praia - segundo dia
Terceiro dia
Acordei no mesmo horário do pessoal que pernoitou no Zé da Praia. Eles arrumaram as tralhas e foram embora nas motocas. Eu demorei um pouco mais de tempo, pois tinha que descer tudo até a beira da água. Queria chegar um mais rápido possível no final do Pontal de Tapes para fazer a travessia. O vento já estava melhor que no dia anterior. Parecia quase um Nordeste, ainda gerando ondas por toda a Praia de Fora. As ondas acabam não sendo muito fortes, mas ficam empurrando o caiaque para a terra a todo momento. É ter paciência e ir negociando com elas e com os bancos de areia. Não fiz nenhuma parada até o final do pontal, foram 20km sem parar. Fiquei feliz, pois no dia anterior tinha parado muito. Parei nos bancos de areia que circundam o final do pontal, muitos pássaros por lá. Descansei, avisei a turma no whats que estava iniciando a travessia. Pedro me mandou uma mensagem para não ficar me amarrando a atravessar logo. Apesar do vento aumentar, era um vento de popa, que iria me ajudar. Quase um vento Leste. Dito e feito, atravessei com o vento ajudando, até algumas surfadinhas foi possível dar. Passei o Pontal Dona Helena e logo parei para descansar. Já tinha feito 30km no dia e estava apenas na metade do dia. Até Arambaré seriam mais 15km. Da Dona Helena, olhando para Arambaré, só se vê algumas antenas. Pra lá que eu botei o rumo. Inicialmente iria costeiro, mas resolvi ir mais rumando Arambaré mesmo, para chegar mais rápido. O vento seguia ajudando, de Leste, empopado. Estava evoluindo bem, mas estranhamente sentido uma ardência no costado das mãos (depois descobri que trouxe um protetor solar vencido... que cagada). Cheguei em Arambaré com um pouco de ondas, atravessei a estranha boca do Arroio Velhaco e parei na praia para achar o camping. Fui no camping, conversei com o responsável, falamos do Pedro, que tinha parado alí na semana anterior. Voltei para a beira para pensar no que fazer. Olhei a previsão: dois dias de chuva e vento sul, depois mais alguns dias de vento médio de Leste. Ficar dois dias parado no camping foi uma ideia que não me agradou. Resolvi parar por alí mesmo, liguei para a Fernanda me resgatar. Ela foi até Arambaré, chegou lá pelas 20:30. Fui pra casa. Mais uma remada que termina. Nunca mais vou esquecer de ver a validade do protetor solar.

Chegada em Arambaré