03/04/2020

Remada Águas de MARço - de São Francisco do Sul até a Ilha dos Remédios

(Fotos e vídeos: Leonardo Esch, Pablo Grigoletti)

DIA 07/MAR/2020 - Sábado - de São Francisco do Sul até a Ilha dos Remédios


(Nossos bons amigos da Pousada da Ilha) 

Depois de sair da Pousada da Ilha, estavamos nos preparando para entrar no mar, na praia Brava, quando um guarda-vidas veio nos perguntar se estávamos acostumados a sair de caiaque com o mar tão grande. Nos entreolhamos e de certa forma estranhamos, pois de onde estávamos o mar nem parecia tããããoooo grande. Caminhamos junto com ele mais para o meio da praia e tivemos um visual melhor... Marzão gigante... Os surfistas, de pé, ficavam pequenos, quase no meio das ondas.

Claro, havíamos colocado os caiaques num cantinho da praia, protegido pelo morro, que também nos tirava uma visão completa da praia. Fica a lição, conseguir sempre ver toda a praia, o que parece até meio óbvio, mas naquele momento precisamos do puxão de orelha do salva vidas. Agradecemos o conselho do guarda-vidas e segue a história.

O Valter, rio grandino que estava lá em São Francisco há mais de 40 anos tinha vindo falar com a gente logo quando chegamos na beira do mar com os caiaques e desde então estava com a câmera na mão para gravar nossa saída.

Estava junto de nós quando ganhamos o conselho do guarda-vidas e logo se prontificou a nos levar de camionete até a praia da Enseada, esta estava tudo calmo. Aceitamos de pronto. Um caique por vez, enviezados na sua Hilux... Eitaaaaa, ocupávamos quase que toda a rua. Quase arrancamos umas duas ou três cabeças nas viagens. Fizemos duas viagens, uma para cada caiaque. Agradecemos o amigo e fomos pro mar.




Segue o relato do Leonardo sobre o nosso dia: "Remamos bem longe do costão para evitar as ondas de rebote e o mar muito mexido. Ao longo da remada pegamos swell variado e uma costa monótona. O dia nublado ajudou, o sol não castigou tanto. Nosso objetivo demorou para aumentar de tamanho e quando estávamos quase chegando o vento aumentou bastante de intensidade - favoravelmente, ainda bem! Foram cinco horas praticamente sem parar de remar, com pequenas pausas para nos reagruparmos. A Ilha dos Remédios surpreendeu pela beleza e pela acolhida dos moradores (a grande maioria, moradores temporários). Seu Jajá, o "capataz da ilha", nos deixou à vontade."

Naquele dia estranhei o Leonardo pelo ritmo de remada mais lento, ele ainda não estava se sentindo bem do estômago (na verdade, depois conversando, concluímos que não estava bem de novo...). No meio do caminho, no primeiro ponto onde encontramos pessoas, pensamos em voltar pra terra e pegar uma Coca-cola, mas o mar estava bem grande e resolvemos não sair. Um tempo depois, chegamos a ilha dos Remédios, santo remédio...




O seu Jajá não estava na ilha, mas logo chegou, com um fardo de Skol latão.




(Seu Jajá, seu cachorro, cerveja, um palheiro... que final de tarde)

Atracamos numa praia (a ilha toda tem apenas três pequenas praias), onde logo depois chegou uma gurizada, que estavam apenas pela zoeira e pela cervejada. Era aquele sonzão sertanejo universitário e já estavam montando barraca quase na beira da água (pensamos vai dar merda... e deu... no meio da madrugada eles tiveram que mover as barracas de lugar), fogueira... 



Fomos dar uma volta pelas trilhas e conhecer a ilha. Conversamos com o pessoal, todos muito agradáveis. Um senhor nos ofereceu se não queríamos passar a noite em uma das varandas ao lado da casa dele.






No final do nosso passeio, aceitamos o convite para ficar na varanda, que era numa outra parte da ilha, longe dos nossos caiaques. Fomos até os caiaques, pegamos algumas coisas... Levamos para lá apenas o necessário para jantar e descansar. Dormimos longe da farra da gurizada, só escutando o barulho do mar.




Resumindo o nosso dia, tentamos sair da Praia Brava não deu, voltamos até a Praia da Enseada onde conseguimos sair, remamos, sem parar, até a Ilha dos Remédios, foram 32km em 5 horas. A ilha dos Remédios fica a 1,5km do Balneário Barra do Sul/SC.

Balneário Barra do Sul está localizado na região Norte/Nordeste do Estado de Santa Catarina. A princípio, foi denominada Barra do Sul, por estar localizado ao sul da ilha de São Francisco do Sul.  Apesar da pequena população, é uma das localidades mais antigas de Santa Catarina e do Brasil, pela proximidade com São Francisco do Sul. A maior parte da população nativa é descendente de portugueses e indígena, e herdaram de ambos a intimidade com o mar, a culinária baseada em frutos do mar. O crescimento de Balneário Barra do Sul possibilitou a instalação de inúmeras obras que vieram de encontro aos anseios da comunidade. O município conta com as seguintes localidades: Linguado, Conquista Pinheiros, Costeira, Centro, Boca da Barra e Salinas. O balneário é conhecido pelos aspectos preservados, ainda nativos – mata Atlântica, restingas, dunas, lagoa e também as ilhas: dos Remédios (maior delas); Feia; Araras; Instriptinga e Islobo. O turismo é motivado por praias limpas e pela lagoa, a parte sul do Canal do Linguado, bastante convidativo a pescarias, esportes aquáticos e navegação para pequenas embarcações. O pico de movimento turístico ocorre nas quatro semanas em torno do Ano-novo. Curiosamente, a festa típica da cidade, a Festa da Tainha, ocorre em pleno inverno.




E amanhã? Como vai estar o dia?

01/04/2020

Renada Águas de MARço - De Itapoá até São Francisco do Sul, dia de caminhada e dayoff 4

(Fotos e vídeos: Leonardo Esch, Pablo Grigoletti)

DIA 04/MAR/2020 - Quarta - Voltando ao mar

Cedo da manhã o alemão já foi ver o mar e veio com boas notícias... Acho que ele também já estava com aquela ansiedade de ficar algum tempo parado. Filosofando um pouco, queremos que tudo ande no nosso ritmo, mas quando estamos na natureza, só obedecemos o ritmo que ela impõe. Cada um tem seu ritmo, temos que tentar nos adaptar... Como diria o escritor e filósofo Ralph Waldo Emerson:  "Adote o ritmo da natureza. O segredo dela é a paciência".



Mesmo não sendo dos mais convidativos, pois algumas ondas ainda estavam grandes, resolvemos sair de Itapoá/SC. O tempo já estava firme, mas entrar no mar ainda seria um bom desafio para mim. Nos despedimos da dona Isaura, mas sem antes escutar seus conselhos sobre o mar grande: Está enchendo, vocês deveriam esperar um pouco, mas se querem sair agora, tem que esperar a onda pititita, que é a menorzinha delas... Ela foi muito querida, nos deu um bom abraço, nos abençoou e partimos.




Organizamos os caiaques na beira do mar e lá fomos nós:



Fui primeiro, para que o Leonardo ficar gravando (também deixei ligada a GOPRO) e logo depois ele entrou no mar também. Incrivelmente, depois das ondas o mar estava manso, bem agradável.


(GOPRO gravando a entrada no mar...)

Ainda estávamos com uma grande dúvida, uma questão importante e que a decisão seria tomada nas próximas horas. Ir por dentro ou por fora da Baía da Babitonga?


Então, resumindo, o Canal do Linguado é fechado e que somente quando a maré está cheia, é possível remar até perto da BR-280. Em outros horários ficam algumas centenas de metros de lodo, com toda a merda vinda de Joinville/SC. Esse item foi o primeiro furo de planejamento. Depois, pesquisando, vimos um relato do Danilo Garcia, falando que resolveu ir por dentro e passou pelo problema do lodo...


Como o mar estava convidativo, acabamos indo por fora mesmo. Analisando prós e contras, decidimos assim. Passamos tranquilamente por fora da barra da Baía da Babitonga.




Fomos fazer a primeira parada na Praia do Forte, bem na hora do almoço. Ficamos por lá fazendo um lanche, muito tranquilos e protegidos do vento...




Depois seguimos até a Praia da Enseada, onde paramos e tentamos comer um pastel e tomar um caldo de cana, mas como só tinha caldo de cana, tomamos dois copos cada um.






Depois disso seguimos remada, o mar começou a ficar grande e o costão nos desafiava com as ondas de rebote, mesmo estando bem longe dele. Acho que bebemos muito caldo de cana, não fez bem para o estômago. Eu estava sentido bastante desconforto no estômago, o Leonardo acabou vomitando o caldo de cana... Por pouco eu também não fiz o mesmo.


As ondas estavam bem grandes e víamos estourarem num grande pedregulho na beira da praia. Seguimos mais um pouco, até que o desconforto e as ondas estavam tão grandes que resolvemos parar.

Leonardo saiu do mar de boa, só na espuminha, como ele fala. Eu tomei um grande capote. Acabei ejetando e ficando alí, na zona de impacto, tentando catar meu chapéu e a esponja, enquanto segurava o remo e o caiaque, e tomava porrada das ondas, até chegar na beira da praia. Não é nada legal, mas eu estava bem tranquilo. Acabei ficando com uma dor na perna depois do acontecido.

Estavamos na Praia do Açaraí, basicamente uma estrada de terra na beira do mar, onde não passam muitos carros, (apenas a gurizada que não quer pagar motel passa por lá a noite), que liga a Praia Grande à Praia do Ervino.





Montamos acampamento, fizemos uma boa janta (teve que ser leve por causa de ainda não estarmos bem do estômago). A previsão não era das mais animadoras para os próximos dias. Durante a janta o Leonardo atualizou as cartas náuticas com os dados do dia. Depois fomos dormir.






DIA 05/MAR/2020 - Quinta - Caminhada puxada

Após uma noite com vento e alguma chuva no acampamento exposto na falésia, analisamos a previsão do tempo e optamos por não seguir. Ó dúvida cruel... Confesso que fiquei na dúvida entre seguir 20km ou voltar 3km... Mas aceitei a ideia do alemão de voltarmos. Segundo a previsão, somente sábado o tempo começa a dar sinais de melhora, então decidimos voltar até a Praia Brava, onde poderíamos ter mais conforto.


(Eis aqui a razão do tempo feio... 
Um centro de baixa pressão no oceano, bem do nosso lado)

Relato do Leonardo sobre a situação: O plano A foi retornar remando pelo outside. Ondas muito grandes e com intervalos muito curtos frustraram a saída. Uma variação do plano A foi tentar remar entre as duas arrebentações, mas mesmo ali o mar estava muito agitado. O plano B foi rebocar os caiaques caminhando pela água, mas as ondas violentas frustraram essa tentativa. O plano C foi carregar tudo caminhando. 

Dividimos toda a carga em 3:
- 2 sacos tipo mochila com o máximo de carga pesada possível;
- caiaque do Pablo com alguma carga;
- caiaque do Leonardo com alguma carga.

Começamos pela beira da praia, mas a areia fofa e grossa dificultava bastante. Continuamos pela estradinha. Levávamos um caiaque, voltávamos para pegar os sacos e voltávamos novamente para levar o segundo caiaque. Caminhamos, portanto, cinco vezes a distância.

Depois de 15,50km de caminhada, bolhas nos pés e ombros destruídos por apoiar os caiaques, chegamos à Praia Brava.



Leonardo entrou e ficou entre as duas arrebentações. Enquanto eu me preparava para entrar (digamos tomava coragem) uma onda já tinha empurrado ele pra terra novamente. Fui até lá e decidimos caminhar. Mas caminhar arrastando os caiaques não deu também, pois toda hora eles viravam, enchiam de água e tinha uma grande chance de quebrar ou estragar alguma coisa. Cheguei a pensar em ficar por lá, mas o Leonardo bolou o plano de volta... Eu aceitei.

Depois de muito caminhar, chegamos bem cansados na Pousada da Ilha, única aberta naquelas bandas.


Pessoal simpático, nos conseguiu espaço para guardas os caiaques, lavar e secar os equipamentos.




Banho nos equipos, depois banho e descansar e jantar... um luxo só. 

(Merecemos...)

Acho que foi o dia mais cansativo de toda a remada...

DIA 06/MAR - Sexta - DAYOFF 4

No início do dia fomos tomar café numa padaria e o Leonardo aproveitou pra gravar um vídeo de como estava o mar...


De lá decidimos ir ao Museu do Mar.









No final do dia, fomos num mirante ver o mar e tomar um mate. Depois jantar e tomar uma(s) boa(s) cerveja(s).







Dia de conhecer um pouco da Praia Brava e visitar o Museu Nacional do Mar, o Porto de São Francisco do Sul/SC e um pouco da Baía da Babitonga. O museu é muito legal, cheio de barcos artesanais, além de uma réplica do barco que o Amir Klink usou para atravessar o Atlântico.

Pelas previsões, o próximo dia ia estar melhor e conseguiríamos dar continuidade a nossa remada. Será? Dos 6 dias, tinhamos conseguido remar apenas em 2 deles. Comecei a pensar bastante nisso, pois a ideia de remar em Março era justamente se afastar do tempo ruim. Mas o mar impõe bem mais restrições que as lagoas e comecei a aprender isso na marra.