04/03/2015

Expedição Lagoa dos Patos 360°: 8º dia - Farol Cristóvão Pereira - Passando a Ponta São Simão

(40 km, do Cristóvão Pereira até a Ponta São Simão)

Dia 8 (11/01/15): No início do dia, com menos de 10 minutos de remada, chegamos ao famoso Farol Cristóvão Pereira. Paramos por lá, fizemos o reconhecimento da área, tiramos algumas fotos e logo seguimos remando. Infelizmente até as paredes que rodeavam o farol estão pichadas... o pessoal não respeita nada.












Saindo do farol, remamos toda manhã, continuando até as 15 horas, quando chegamos no famoso "Porto do barquinho", construído a 12 km de Mostardas, pelo Governo do Estado, para escoar a produção de arroz e cebola de Mostardas. É um porto deserto, fantasma, não tem nada... Estava um dia de muito vento contra (vento Norte ou Nordeste), mas dentro do porto era tudo muito abrigado.

No fundo do porto havia um veleiro e então nos aproximamos para conversar. No veleiro esta um um casal com sua filha, era o Adriano a esposa e a filha Mariana Marcelino.

Eles nos ofereceram algo pra beber, uma cerveja ou água. Eu olhei para o Anderson e perguntei: o que vamos tomar? Eu vou querer uma cervejinha! Parecia uma miragem aparecer aquela cerveja gelada lá no Porto do Barquinho...

Tomando aquela cerveja bem gelada, batemos um papo legal, descobrimos alguns amigos em comum lá no Belém Novo: Luan e Beto Zaccaro...

Mas, remar bêbado não dá certo, então tomamos aquela, conversamos mais alguns minutos e seguimos em frente. Em seguida, o Adriano pegou seu bote a motor, saiu do porto, e foi nos entregar uma sacolas de frutas, nos deu e falou: você podem precisar.

Gente finíssima... ainda passarei na sua farmácia aqui no Belém Novo, em Porto Alegre, para agradecer e conversar mais um pouco...

(Foto enviada pelo Adriano)



(Foto enviada pelo Adriano)

Logo depois do Porto, avistamos uma pequena comunidade... fomos lá ver do que se tratava... Chegamos na Praia das Caieiras, pertencente a Mostardas. Como sempre fazíamos quando chegávamos em alguma comunidade, perguntamos se havia algum lugar pra comer. Mas não havia nada, só um bar servindo bebidas.

O Sr. Jorge, para quem eu fiz a pergunta, nos convidou para entrar em sua casa e depois nos ofereceu um café... Enquanto eu tomava café, o Anderson namorava no telefone... depois ele foi tomar café também... registrei o momento... e até a lavação da louça.






Ficamos preocupados que viesse um novo temporal, mas Sr. Sergio , que possuía ponte de safena nos disse para não ficarmos, pois não iria chover: quando vai chover as molas do meu coração tremem. E realmente não choveu!

Da casa deles conseguimos ligar e avisar nossas famílias, dizer onde estávamos... ainda ajudei a desatolar um carro...

Na saída, eles nos falaram de um tal João Braga, pescador que era seu vizinho e estava pescando lá pras bandas da ponta São Simão... ele tinha uma bolanta por lá.



Saímos dali em direção a Ponta São Simão. Lagoa totalmente lisa... tipo depois de temporal.




Acampamos logo passando da ponta, depois também da bolanta do João Braga... quando passamos por ela não havia ninguém... já era tarde quando começamos a montar acampamento, umas 20 horas... tivemos que carregar os caiaques morro acima... 

Aliás, essa era uma rotina que repetíamos todos os dias... pela manhã carregar as embarcações para água... e no final do dia, depois de quase 8 horas de remo, levar eles morro acima, até algum lugar seguro...

O João Braga chegou mais tarde na sua bolanta, passou por nós, conversou um pouco, e disse que estava a disposição se precisássemos... Agradecemos, montamos um acampamento bem abrigado do vento e nem fomos incomodá-lo. Aquela noite teve muito vento e um pouquinho de chuva... quase nada...

Novamente a lagoa nos proporcionou um dia especial... receber cerveja e frutas da família do Adriano... depois ver que em uma casa super simples, de chão batido, nos receberam e colocaram tudo de melhor para tomarmos café... Gente simples, coração gigante... Não esqueço das palavras do Seu Sérgio: a gente está nesse mundo é para se ajudar... Que baita lição aprendi, pra vida toda.


02/03/2015

Expedição Lagoa dos Patos 360°: 7º dia - Pier Brum - Farol Capão da Marca - Farol Cristóvão Pereira

   (Trajeto do 7º dia, saindo do Pier Brum, passando o Capão da Marca, uma prainha de Tavares e chegando ao lado do Cristóvão Pereira)

Dia 7 (10/01/15): Depois de desmontar acampamento, saímos do Pier Brum e seguimos em direção ao Farol Capão da Marca, um outro importante ponto nessa nossa trajetória pela Lagoa... Encontrar o Capão da Marca e quem sabe chegar ao Cristóvão Pereira, nosso objetivo naquele dia, nos daria ainda mais ânimo para continuar a jornada...



Por não termos ideia do seu tamanho, achamos que iríamos ver o Capão da Marca de muito longe... que nada... ele fica pra dentro, em terra, e nem é tão grande, rodeado por altas árvores.


Chegando lá, o Anderson foi sair do caiaque em direção ao farol e quase foi atropelado por uma camionete... ele não olhou pros lados e havia uma camionete passando em alta velocidade pela beira da Lagoa, que também não parou... Passou bem perto dos nossos barcos.

Chegamos no farol e ficamos alguns minutos por ali... Parados ali pensando: vamos ficar alguns minutos aqui... Quando será que voltaremos? Voltaremos algum dia?







Depois, fomos em direção a Tavares, onde encontramos algo tipo um restaurante, era um recanto em homenagem a Iemanjá. Um casal de senhores nos falou que teve um temporal forte na noite anterior, que destelhou e molhou tudo e que não tinham como servir nada de comida. Mas avisaram que se não encontrássemos comida logo em seguida, podíamos voltar que um arroz ou massa eles fariam para a gente.


Continuamos a remar mais uns 500 metros... Próximo de uma pequena praia, havia uma moça tomando banho que levou um susto (ou realmente ficou com medo) ao nos ver chegando de caiaque, e saiu caminhando rápido na direção das casas.

Eu saí para tentar conversar, chamando ela. Mas para não ficar chato, acabei não seguindo ela... fui na casa ao lado de onde a moça entrou... Lá, perguntei se havia algum restaurante, bar ou venda por perto. A conversa iniciou e logo o Sr. Ismael ficou interessado em nossa história: “Mas, vocês estão vindo de onde?” “Vocês parecem estar com fome!” E nos convidou para um churrasco... falei que poderíamos contribuir, pois tínhamos dinheiro... Seu Ismael não aceitou e disse para entrarmos... fui nos caiaques avisar o Anderson.... ele nem acreditou quando contei que tínhamos sido convidado para um churrasco.

Picanha, salada, Coca-Cola, um dos melhores almoços que tivemos, com a fome e sede que estávamos. Ficamos emocionados, pois aquela família nos trouxe para dentro de casa e nos tratou super bem....

Ainda disseram que éramos iluminados, pois ao chegarmos a água e luz que estavam faltando haviam voltado. Com o Sr. Ismael Zanetti, Dona Irma, Filha Denise e seu Marido Salinas comemos e conversamos bastante... Depois nos despedimos e tiramos fotos com eles... Eles foram até a beira da água com a gente...


Bem alimentados e com o tempo ajudando, seguimos adiante em direção ao Farol Cristóvão Pereira. Ainda encontramos outra boia verde em terra... paramos e fizemos um momento de descontração.



Alcançamos o farol às 20 horas da tarde. A curva para chegar no farol era grande e demoramos para ver este farol também. O final de tarde estava muito bonito.






Aproveitei para tomar aquele banhozito de final de tarde...


No local onde paramos, uns 500 metros antes do Cristóvão, encontramos uma churrasqueira de latão, uma pena que não tínhamos carne ou peixe para assar, apenas duas batatas doce. Foi a nossa janta. Antes da janta rolou até um chimarrão...





Parecíamos dois bichos do mato.... noite escura, a churrasqueira cheia de madeira e pinhas queimando, nos dois sentados no chão, bem atirados na areia, imundos, comendo batatas doce já meio estragada pela umidade... Depois até uma pescaria o Anderson tentou... não pescou nada e ai fomos dormir... sempre com o velho facão abre mato do lado.



Neste dia alcançamos nossos objetivos, conhecemos os dois faróis e ainda conhecemos uma maravilhosa família em Tavares... coisas que só a Lagoa dos Patos pode nos oferecer... uma experiência de vida.

25/02/2015

Expedição Lagoa dos Patos 360º: 6º dia - Ponta do Bojuru - Pier Brum

(Trajeto, saindo da Ponta do Bojuru e parando no Pier Brum, um pouco antes do Farol Capão da Marca.)
 (Trajeto do 6º dia, saindo da Ponta do Bojuru e parando no Pier Brum, um pouco antes do Farol Capão da Marca.)

Dia 6 (09/01/15): Nunca acordávamos cedo: sempre lá pelas 8 horas, para levantar acampamento, tomar café e deixar tudo pronto dentro dos caiaques, para partir pelas 9 horas, 9:15.

No início da remada, pela parte da manhã, fizemos uma travessia, logo depois da ponta do Bojuru. Depois de aproximadamente 3 horas remando, avistamos uma praia onde havia um pequeno trapiche, então pensamos em chegar pois deveria haver alguém por lá. Nos aproximamos de uma casa onde havia uma senhor assistindo televisão, tudo deserto em volta, ele levou um susto, apesar de nossa aproximação ser sempre com muita calma, falando aquele tradicional Buenas, já sem estar usando os óculos escuros nem o chapéu, em sinal de respeito...



Conversamos e explicamos a que vinhamos. E o Sr. Marleu falou: mas, que aventura! Estávamos a 3 dias sem dar sinal para casa, e pedimos emprestado um telefone. Ficar sem avisar a família sempre nos deixava preocupados, pois ficávamos lembrando dos temporais e da preocupação dos nossos familiares, sem nenhuma notícia.


O dono da casa foi muito solícito, nos emprestou o celular que tinha que ser ligado numa antena externa... Fizemos ligações a cobrar e avisamos todos. Além disso, ele também colocou a disposição sua casa, caso quiséssemos pernoitar.





Fizemos um almoço e em torno de 14 horas da tarde, saímos de São José do Norte divisa com Tavares. Chegando o final da tarde, estava se aproximando um grande temporal, vindo do Sul. Antes dele chegar, atracamos os barcos, logo depois de um pequeno vilarejo de pescadores.

Ali existia um bom lugar para acampar, embaixo de uns pinheiros, mas para isso tivemos que subir um baita dum barranco... tivemos que levar os caiaques até lá em cima.

Nem tínhamos montado o acampamento e bateu uma chuvarada feia, temporal mesmo, com muito vento... a lagoa ficou bem agitada.


Sorte nossa que encontramos um quiosque, o Pier Brum, no meio do mato, para nos abrigarmos... Ele ficava depois da cerca, mas mesmo assim entramos e ficamos ali por um bom tempo, até o temporal passar.







Depois de um tempo me liguei que era o local onde os amigos Ligeiro e João Mauro falaram que tinham ficado...



Esperamos acabar o temporal, para depois montar o acampamento. Logo a natureza nos presenteou com um bonito arco-iris...




O final de tarde estava muito bonito, o céu parecia estar pegando fogo, o horizonte estava vermelho.






Naquele dia ficamos pensando: num puta temporal, no final da remada, achar um quiosque no meio da costa Leste... seria sorte, acaso, destino, ajuda de algo maior que nós? Não sei... Mas vale o questionamento...
Localização exata do Pier Brum (31°24'22.86"S, 51°11'58.31"O). Fica dentro da propriedade privada Haras Itapuã Sul, do proprietário Ricardo Marantes.